Um encontro e suas impressões.

Dante foi um escritor que preservava a unidade como principio e, para ele, Maomé foi um produtor de divisões. Dividir para governar e conquistar. O que levou também a sunitas e xiitas a se dividirem. Fato é que a descrição retoma a cena contemporânea quando se observa que os países para o onde os mulçumanos migram, se estabelece uma divisão seguido de mortes. 

Dante utiliza uma linguagem extremamente crua e gráfica para descrever a punição dada a Maomé por ele ter sido considerado um Criador de Cismas. Abaixo, apresento a passagem principal na tradução de Vasco Graça Moura (referência em Portugal):

"Già veggia, per mezzul perdere o lulla, com’io vidi un, così non si pertugia, rotto dal mento infin dove si trulla.

Tra le gambe pendean le minugia; la corata pareva e ’l tristo sacco che merda fa di quel che si trangugia."

Tradução: 

"Já pipa que tampão ou aduela perca se não vira assim rota, como eu vi um, do queixo aberto até onde se peida.

As tripas pelas pernas lhe pendiam; viam-se os órgãos, e o saco nojento que em merda faz o que se engole e traga." — (Inferno, XXVIII, 22-27)

Logo após esta descrição visual impactante, o próprio Maomé dirige-se a Dante, identificando-se e explicando a sua condição:

"Mentre che tutto in lui veder m’attacco, guardommi e con le man s’aperse il petto, dicendo: «Or vedi com’io mi dilacco!

Vedi come storpiato è Mäometto! Dinanzi a me sen va piangendo Alì, fesso nel volto dal mento al ciuffetto.»"

Tradução: "Enquanto nele a vista todo ponho, olhou-me e com as mãos abriu o peito, dizendo: 'Vê agora como me fendo!

Vê como está Maomé tão estropiado! À minha frente Ali chorando vai, fendido o rosto do queixo ao topete!'"— (Inferno, XXVIII, 28-33)

 

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