Haveria um propósito? Perguntou o segundo. Diante da pergunta, o primeiro respondeu que eles haviam desistido de propósitos que beneficiassem a todos.
- Por que?
- Porque desta etapa em diante só restava mesmo a guerra pelos próprios interesses, financiados com os benefícios de todos.
- Os recursos não pertenciam a eles.
- Não. Toda habilidade adquirida fôra investida na destituição do outro de tudo que ao outro pertencia. Roubavam, matavam e torturavam mesmo que não tivessem propósito, apenas por prazer e poder.
Interessante notar que houve um tempo em que se acreditou no bem comum, mas hoje isto foi transformado numa falácia. Numa estratégia para enganar aqueles que sentiam necessidade de serem cuidados por alguém, sem perceber que haviam colocado suas cabeças nas mãos do carrasco.
A miséria humana poderia até tentar se disfarçar atrás do cheiro dos perfumes e vestes de grifes, mas o fedor que exalava de toda aquela população de miseráveis vinha da riqueza e do poder acumulado. Por mais que tentassem se lavar ou contratassem assessores para disfarça-los, ele se mantinha lá, denunciando-os todo tempo. Não havia mais espaço para empatia, solidariedade e retidão. Cada homem tinha nas mão seu próprio púlpito, de onde proferia discursos movido por uma superioridade moral que deixava qualquer deus no chinelo.
Uma província que vivia tendo a abundância como deus, que dava as costas para tudo aquilo que a tornaria reconhecida por sua capacidade para produzir comunidades sólidas, mantidas por vínculos fortes e consistentes. De uma hora para outra, tudo isto desapareceu até do pensamento e o que restou foi o fedor deixado pelo lugar onde a alma se encontrava.
SN

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