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Mostrando postagens de 2012

PAÍS 2013

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Naquele país, os muros foram substituídos por arbustos. Cada um de seus habitantes não projetava sobre o outro o que lhe pertencia. Por esta razão, as conversas fluíam sem ataques ou dissimulações. Quanto mais firmes se tornavam os vínculos, mais floriam os jardins. Por alguma razão a natureza se sentia incluída neste tipo de cultura, e respondia a ela com florações. Não havia mágoas ou ressentimentos, porque eles sabiam que ninguém poderia salvar alguém de si mesmo. Entre eles, não haviam vítimas, pois todos assumiam suas vidas nas próprias mãos. O mesquinho não os suportava porque dependia da usura para se vincular, e lá , o afeto era farto. De algum modo, aquelas pessoas haviam conseguido viver dentro delas mesmas, sem transbordar  sobre os outros, interpretando-os ou julgando-os a favor de seus próprios pontos de vista.  Vida boa era aquela que passava sem medo, preconceitos e privilégios. SN

TUA SINA

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Por quereres ser mais do que és, lhe darei uma consciência estreita, uma moral densa e um narcisismo pesado. Feito isto, viverás confinado em um mundo miserável e pequeno, sem que jamais possas sair do que pensas que és. Do pó ao pó. De nada lhe adiantará inventar mundos para escapar de tua mortalidade, finitude e mesquinharia. Pois quem guiará teus passos será a indiferença, o sarcasmo e a ironia. Eles te acompanharão os dias e te farão esquecer quem és. Tudo que tocares, em matéria ser transformará. SN

O TEMPO QUE SE GASTA

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Se o tempo que uma pessoa usa olhando para a vida e a pessoa do outro, fosse usado para pensar porque razão não consegue olhar para si mesmo, ela poderia rir sem ansiedade, viver sem se mostrar, estar sem se sentir só, descansar das palavras e se preencher de uma quietude singular.

HIPOCRISIA

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Por alguma razão que a razão negligencia, a hipocrisia alheia é denunciada com vigor por aquele que precisa disto para proteger-se de seu próprio olhar.

BEIRUTE

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Em Beirute, houve um tempo no qual a imaginação colocada a serviço da poesia, vestia tanto casas quanto seus habitantes. Deste modo, a cidade mergulhava em uma atmosfera mágica, chegando até as casas através da luz que atravessava as cortinas, deixando-as propícias para o recolhimento e o amor daqueles que viviam nelas. O cravo e a canela, temperavam o ambiente com tons de laranja, amarelo e vermelho. SN

CADA UM

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Por esperar que sejamos de ferro, e não de carne, é o que faz prosperar em nós a desilusão, o desencanto e os equívocos de tentar ser quem não somos e nos sentirmos menos amados por isto. Cada um só pode ser feito de si mesmo. SN

ARROGÂNCIA

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Se descascar a arrogância, encontrará sob o verniz que a reveste, uma burrice crédula, mantida pela mais pura miséria de alguém que não tem a menor idéia acerca de si mesmo. SN

COMEÇO

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A esperança brota no começo, talvez porque ela dependa da ilusão que se perde ao longo do caminho. Certos lugares são plenos de começo. SN

DE QUEM SE FALA?

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Melhor escutar a si com imparcialidade, do que acatar a parcialidade de quem fala de si mesmo como se do outro falasse. SN

O VERÃO NO RIO E EM ARGEL.

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Camus dizia que era preciso morar muito tempo em Argel para compreender até que ponto o excesso de bens materiais pode prejudicar a sensibilidade. Esta cidade, dizia ele, não oferece lições. "Aqui não existe nada para aquele que deseja aprender, educar-se ou torna-se melhor." Estas duas cidades nada prometem nem deixam entrever. Estranha estas cidades, "que dão ao homem que alimenta seu esplendor e sua miséria a um só tempo". Nelas, a luz, o mar e o azul ficaram limitados a verdade atribuida a sensualidade. "Os homens encontram aqui, durante toda juventude, uma vida à medida da beleza deles. Depois é decadência e olvido. Jogaram tudo que tinham na sensualidade, com a certeza, porem, de que deveriam perder. Em Argel, para quem é jovem e cheio de vida, tudo é refúgio pretexto para triunfos: a baia, o sol, o jogo vermelho, as flores e os estádios, as moças de pernas vigorosas. Entretanto, para quem já perdeu a juventude não existe nada a que aferrar-se e não há...

VIVER

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VIVER NÃO É RESIGNAR-SE. A. Camus

O AMOR

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                                                                                                                                                            Podemos amar, mas não podemos salvar ninguém de si mesmo através deste amor. SN

JORNALISMO ACUSATIVO

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QUANDO UM TEXTO EXALTADO CRITICA A EXALTAÇÃO ALHEIA, É PORQUE O QUE MOTIVOU TAL ESCRITA NÃO SE PODE REVELAR. NASSIF, escreveu hoje em seu blog: " INEGAVELMENTE, Joaquim Barbosa NÃO ESTÁ APTO a assumir a presidência do STF. DE FORMA ALGUMA. É   uma pessoa EMOCIONALMENTE DESEQUILIBRADA, INCAPAZ DE ENTENDER regras mínimas de convivência com seus pares. Sua truculência É TAMANHA que, nas sessões do Supremo, um presidente VACILANTE, como Ayres Brito, mal consegue contê-la. Foi necessário que Marco Aurélio de Mello se manifestasse duramente para Joaquim Barbosa sair do SURTO que o acometeu. Como presidente, o que ocorreria? Uma desmoralização completa da CORTE." Quando aquele que escreve não tem argumentos para desenvolver uma idéia, se vale de julgamentos cuja função é desqualificar aquele que ameaça seus interesses. Por este motivo, palavras do tipo: INEGAVELMENTE, NÃO ESTÁ APTO, DE FORMA ALGUMA, EMOCIONALMENTE DESEQUILIBRADA, INCAPAZ, VACILANTE E SURTO são usadas com intu...

BABÁ, A BANDEIRA E O PROFETA.

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Por quê queimar uma bandeira não acende, no ofendido, um furor assassino, semelhante ao despertado pelo filme ou charge, de um profeta? Que tipo de relação o sujeito estabelece com   a representação do Estado e com a da Religião? O que, de seu psiquismo, o liga ao Estado e o que o liga a Religião?   A idéia de estado se distingue da de monarquia,   porque o Estado representa muitos, mas o monarca, si a mesmo. Pode-se ter duvidas acerca do quanto um estado está sendo bem representado, mas o monarca é o que é. Porque uma representação nunca é o objeto que ela representa, pode-se ter dúvida se ela o representa bem. Um estado sem dúvida é totalitário, e se alimenta da sombra do monarca. O dúvida impulsiona o pensamento, tirando-o da certeza que a religião determina. Dentro de uma república existem ateus, que devem ser respeitados como os crentes. Porém,   na religião-estado, isto não é possível. Veja o que acontece no Paquistão. Se o Es...

VIVER E MORRER

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Ninguém pode nascer ou morrer por nós. Mas quando inventamos o amor, para nos fazer esquecer disto, a solidão passou a se mal vista.  SN

NOVA FAMILIA BRASILEIRA?

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1- Como conceituar família em nossos dias, principalmente depois dos dados apresentados no último Censo? O perfil das famílias brasileiras mudou em relação aos dados do ultimo senso. A chamada familia tradicional, modelo composto por pai, mãe e filhos, agora convive com familias cujo núcleo familiar é formado por crianças de uniões anteriores, de pessoas sozinhas, casais sem filhos e uniões constituidas por pessoas do mesmo sexo. O casamento tanto na igreja, quanto no civil, se reduziu diante das uniões consensuais, que aumentaram consideravelmente. A redução da taxa de natalidade, mulheres tendo filhos mais tarde e o aumento da estimativa de vida, são fatores que corroboraram para este cenário de mudança. O censo de 2010, enumerou dezenove laços de parentesco, para que fosse possível cobrir todas estas mundanças. Já o censo de 2000, listou apenas onze. Os novos lares somam 28,647 milhões, 28.737 a mais que a formação clássica. O que podemos pensar a respeit...

PORQUE É DIFICIL ENVELHECER NO BRASIL

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No Brasil, é mais difícil suportar a exigência de se manter jovem, porque para isto, é necessário aceitar que a verdade sobre as coisas não existe, e que o mundo é mais complexo do que lhe mostra a propaganda ou a televisão. A juventude aqui, é apresentada como se fosse a verdade através da qual se consegue visibilidade, estima e aceitação social. Jovem é sinônimo de produção, funcionalidade, sucesso e felicidade. Vivemos em um pais que valoriza a ação, em detrimento da reflexão, bem como, funciona mais na extroversão do que introversão. O futebol e o carnaval, são exemplos disto. Brasileiro sozinho é mal visto, e por isso, passa maior parte do tempo dentro de algum grupo. A longa dependencia da familia, a demora para se emancipar emocional e financeiramente, colaboram para que não aprendam a ter opinião própria, e dependam do que lhe diz o grupo do qual faça parte, pelo receio dele ser excluído ou estigmatizado. O brasileiro respeita pouco as diferenças individuais, julga co...

SANIDADE

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Só eu os vejo assim. Deixa-me insanidade, pois Perturbas quem olha para os meus pés E sente a pele cortada pelos Desejos que os puros querem se livrar. Fui vencido pela palavra Que tirou de mim o delírio Deixando-me apenas as horas, Que espero para tira-lhes dos pés. Eles que me faziam esquecer quem sou. Sai de mim insanidade, Pois já não posso mais dizer que És Satanás, nem um outro qualquer Seja a razão destas botas nos pés. Em Tebas estive, mas não me recordo De tê-los colocados ali. Se afasta de mim insanidade, tu que nem nome tem Mas que chamo todos os dias. Para me acordar Dos horrores deste mundo E me lembrar de que, Minha natureza, é atravessada por ele também. SN

DO MAL USO DA CRENÇA

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A ilusão cumpre uma função para o psiquismo: ela sustenta a crença, de qualquer tipo. A ilusão, assim como a crença, servem como dispositivos usados para fazer esquecer, ou para evitar o contato com o que não se quer p ensar. Acreditar para esquecer o que a ilusão se presta a manter: no mundo existem bons e maus, certos e errados, imbecis e sábios. A divisão que existe dentro de cada um, a ilusão tenta cauterizar, ao lançar mão do ódio para fazer frente ao que ameaça a crença no homem puro. Mas, se não há pureza em "adam", de que pureza se fala? O nojo e a pureza funcionam lado a lado, como seguranças da crença de que se sobrevive a morte. Isto é tão importante, que mata-se por este motivo. Sem sua crença, aquele mortal desespera-se, pois pior que aceitar a idéia da morte é tolerar a do desaparecimento.

MASSA E MANIPULAÇÃO.

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Caso queira juntar o que esteja partido, arranje um inimigo, faça-o ser odiado, mantenha o ódio por ele, e assim, o que está quebrado, ilusoriamente se junta.   Um video de origem até agora indefinida, mas com intenção def inida: despertar o ódio, é apresentado como tendo sido feito pelo inimigo. Depois da primavera, os distintos grupos presentes no mundo árabe acirram a tensão entre eles. É hora de lançar mão do ódio para alterar este quadro. A rapidez com que 20 embaixadas foram atacadas, chama atenção pela seguência temporal com que foram incendiadas. As divisões internas são apaziguadas, e novamente se tem UM POVO. É curioso como a manipulação está ligada ao desejo de SER UM TODO, e como o ódio serve de catalizador a isto. Todavia, nada seria possível, caso faltasse um inimigo, pois, só mesmo ele, para salvar a ONIPOTÊNCIA do pensamento quando esta fraqueja diante da constatação da IMPOTÊNCIA e LIMITAÇÃO. O QUE UM VENCIDO QUER? SE TORNAR VENCEDOR. SN

FIM DE ANALISE

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FIM DE ANÁLISE. Do modo como ele me descreveu a tela, eu não pensei que estivesse falando de Bosch. Eu havia visto este quadro no Prado e nada do que ele disse se correspondia a impressão que a tela me causara.   Juliano havia sido um analisando querido. Eu o acompanhei em diferentes momentos de sua vida. Inteligente, culto, afetivo e muito empenhado para fazer um bom uso de sua análise. Neste dia, ele chegou a sessão falando a respeito de como uma tela havia lhe ajudado a   sintetizar o trabalho que ele havia proposto a fazer consigo mesmo. Disse-me ele: " Por alguns instantes, eu pude ver quem eram as pessoas que estavam diante de mim. Vi a família que eu gostaria de ter tido, a alegria com que se relacionavam entre si, as pausas e as trocas que faziam uns com os outros. Dentre eles, duas irmãs conversavam sem medo, inveja ou competição. As palavras ditas seguiam sem travas. Ali, no mundo, existia o que eu gostaria de ter vivido. Anteriormente eu me sentiria um cara de seg...

PARAÍSO

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PARAÍSO Se o paraíso fosse criado nos dias de hoje, a serpente deprimiria porque não conseguiria seduzir ninguém. Neste paraíso, ela não teria quem recrutar, pois todos já teriam sido seduzidos por si mesmo.

O ESPÍRITO

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O ESPÍRITO SE MOSTRA VIVO, QUANDO SE FAZ VISTO DEPOIS DA DESTRUIÇÃO DE SUA OBRA. SN

SEXUALIDADE

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Freud, antes de escrever sobre a sexualidade infantil, pensou a sexualidade como um tema associado as neuroses. A questão é que a SEXUALIDADE continua sendo um grande enígma para os seres humanos. Reduzida as classificações hetero, homo e seus variantes, o que chamamos de sexualidade, está longe de se limitar a pratica sexual. Lacan a remeteu ao gozo, tentando fazer jus a toda sua extensão.   Todavia, também a encontramos associada a violência, ao preconceito, a   moralidade, ao temor e a normalidade. Isto, nos mostra o quanto os contornos de cada um são mais indefinidos do que se pensa. Homem e mulher, por exemplo, são conjecturas mais do que certezas, pois o que, além do sexo, nos faz acreditar que somos homem ou mulher? Se os contornos acerca de si mesmo estivessem definidos, que importância teria a maneira como o outro vive o que chamamos de sexualidade? Se for mesmo verdade que é possível eu estar certo de quem sou, por que me importaria como o outro vive sua própria vi...

O EGO

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IMAGINARIO E ELEIÇÕES CARIOCAS 2012

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IMAGINÁRIO E ELEIÇÕES CARIOCAS Lacan, já em 1949, apontou o estágio do espelho do espelho como formador da função do ego. Ver-se onde não se está, pode ser pensado como um desdobramento narcísico. O NARCISISMO foi repensado por Lacan, tendo uma importancia em seu pensamento. As campanhas políticas, texto e imagem, funcionam como um espelho através do qual o eleitor se vê onde não está. O voto, como um fetiche viabiliza esta cena psíquica. Um exemplo disto, encontra-se na embalagem que os candidatos usam para se apresentarem. Elas trazem em si um elemento de salvação: "eu tirarei você da nojeira em que se encontra esta sociedade, o resgatarei pois és puro." Esta idéia comum, tem um efeito e leva aquele que a usa a ter sucesso em sua empreitada. Lula ganhou uma eleição operando com estes registros. Mas todo aquele que se apresenta como salvador tem seus dias contados por um "mensalão". No Rio de Janeiro, um candidato desponta com forte apelo especular. Em tor...

ANONIMATO

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O anonimato desapareceu. Não há mais um lugar no qual não se possa ser visto. Tudo é feito para expor e localizar. A quietude é confundida com sinal de fracasso. Ela que permite a vida acontecer fora dos holofotes do controle que faz crer q ue são sinais de fama. O corpo de cada um que era até então onde poderia-se estar sem ser observado, transformou-se em um corpo fabricado para ser observado. Ser para ser visto, é a prisão mais eficiente que se pode construir, pois preso e carcereiro são um mesmo. Nestes tempos, se tornar a cópia do que se convencionou ser uma celebridade, passou a ser o destino de cada um.

50 ANOS

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" Eu gostaria de acreditar que o que está diante de mim, corresponde ao que busca meu desejo. Deste modo, durante anos, eu passei uma rasteira em mim mesmo.   Hoje, quando algo me interessa, penso que posso estar blefando se me faço acredit ar que algo novo esta por vir. O novo é o que mudava em mim, todos os dias, mas eu não percebia. O idealizado se foi, deixando espaço para se estabelecer vínculos, cuja intimidade fluía sem medo ou pudor. Neste dia eu completava 50 anos. Possivelmente, antes disto, algo desta ordem não poderia ter acontecido."

A VILA

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" Certamente ele não sabia nada sobre isto. Por esta razão, se convenceu de que era tudo aquilo que negava em si mesmo. Você me pergunta se isto é possível? É possível! Existem muitos como ele. Tantos, que eles até se esqueceram de que pas saram a acreditar na mentira que contaram sobre eles mesmo. O interessante é que eles assumiram a mentira como verdade, e já não sabem mais o que é uma e outra. A rua onde moram não poderia ser diferente, nem seus amigos. Nela havia um ar poluído, apesar de ser uma vila. Não sei se poderíamos dizer que era soturno, mas uma atmosfera híbrida e dissimulada circulava por ali. Sim, eles eram os donos do lugar. Mas eu não saberia lhe dizer se isto é uma mentira ou verdade. Eles acreditavam que eram. Suas esposas caminhavam com um ar sóbrio, para impressionar apenas, pois havia um exagero naquele passo. Eu penso que a petulância, e o senso de superioridade, vinham do desatino contido de não saberem quem são, ou melhor, de não arriscarem a ser nada...