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  Não Matarás   Uma análise do ódio ao judeu nos conduz a dois elementos que o acompanham: a  obsessão  e o  excesso , ambos postos a serviço da transformação da imagem do judeu em algo monstruoso. Trata-se de uma imagem inserida no imaginário social que atravessou séculos para chegar intacta aos dias de hoje. Uma vez fundidos, cada um desses elementos compõe a motivação do antissemita, que os desconsidera em prol do conforto de sua própria indignação para reivindicar uma "justiça" entendida, em última instância, como a eliminação do judeu. O excesso e a obsessão servem para encobrir o que nutre e preserva esse ódio secular. A civilização dificilmente examina as raízes bárbaras que a constituem ou, ainda, as conexões que tais raízes possuem com as máscaras usadas para negá-las ou dissimulá-las. Do judeu se exige o que não se exige de nenhum outro grupo humano; o olhar de julgamento que incide sobre ele é de um rigor não encontrado em relação a qualquer outro agr...
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  LUX   Os labirintos que atravessei me levaram a fazer escolhas que me faziam retornar as minhas feridas. Precisei de tempo para mapear os percursos, tempo para escapar do rancor e da vitimização, tempo para perceber que cada lança enterrada no peito teria partido das ilusões desfeitas. Não perdi a alegria de viver, nem a coragem de enfrentar o que trazia comigo, feridas que precisaram ser tratadas para que um dia pudessem se tornar parte da riqueza que é estar vivo e sobre minhas próprias pernas. As feridas tinham nome e pertenciam ao reino do “como logo eles puderam agir comigo com tamanha crueldade”. Depois que deixei o campo, passei uma boa parte da vida retornando a ele, procurando algum sentido, mas com a alma dilacerada e sem saber o que fazer com meu coração depois de tudo que passei. Só, engasguei várias vezes e engoli a seco quando duvidava de minha habilidade para superar tudo aquilo.    Nestes momentos, eu sentia a vida pulsar lá onde as palavras ainda n...
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 Trecho do livro Não Matarás, de Sócrates Nolasco  (Editora Jaguatirica). " Faz muitos anos que palavra judeu circula no imaginário social de diferentes culturas. Todavia, os vários sentidos conferidos a uma palavra não aportam o falante no mundo da matéria. Dependendo do sentido dado a uma palavra, ela pode chegar até os conflitos que deixam o indivíduo perturbado ou irritado. Isso ocorre porque a relação que todo indivíduo mantém com a palavra faz parte de sua subjetividade, diferente, por exemplo, da relação que a representação mantém com o mundo, onde a verdade foi ancorada. Me refiro as leis que regem os fenômenos naturais, como aquelas descritas pela Física. Por outro lado, os discursos de ódio em relação ao judeu, ou a Israel, reivindicam para si a autoridade sobre as palavras usadas para representa-lo, como se o que dissessem sobre o judeu equivalesse a uma lei da Física. O que se observa nas manifestações de antissemitismo, é o ódio sendo conduzido pela intenção do ma...